Argentina bate dentro de campo, apanha nas ruas e termina a Copa com a imagem nocauteada
— Um dia a conta chega, hermanos
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A derrota da Argentina não ficou restrita ao gramado. Transbordou para as ruas, calçadas, praças, praias, bares, restaurantes e redes sociais. Depois de anos cultivando provocações, insultos e uma arrogância que frequentemente ultrapassava os limites da rivalidade esportiva, parte dos argentinos descobriu, da pior maneira, que toda provocação produz uma reação.
— Um dia a conta chega, hermanos.
Durante anos, jogadores e torcedores argentinos se acostumaram a insultar adversários e hostilizar torcidas. Os ataques racistas contra brasileiros e outros povos — com expressões como “mono” e “macaquito” — deixaram de ser episódios isolados para se tornarem uma marca incômoda e recorrente.
— Chores por ti, Argentina.
O comportamento de alguns jogadores argentinos após o apito final tornou tudo ainda mais vergonhoso. Leandro Paredes perdeu o controle, partiu para cima de Eric García e ajudou a transformar a celebração espanhola em uma confusão generalizada.
E, como se o vexame dentro do estádio não bastasse, os ânimos também se exaltaram fora dele. Em diferentes cidades brasileiras, argentinos se envolveram em discussões e cenas de pancadaria.
— A população também mostrou o cartão vermelho.
A Argentina plantou provocações e colheu revolta.
Teve argentino levando corretivo por toda parte. As redes sociais viralizaram os cidadãos com a camisa albiceleste tendo seus ânimos contidos com tapões, bicudas, socos e joelhadas. Além disso, a mídia condenou a postura agressiva e desleal dos seus jogadores.
São maus perdedores e maus ganhadores. Ganharam em 78 subornando os jogadores do Peru. Fato assumido pelos peruanos. Ganharam em 86 com gol de mão de Maradona. Em 90, chegaram a dar água batizada com calmante para o lateral Branco. E, neste domingo, deram as costas enquanto os espanhóis recebiam as medalhas.
— É preciso aprender a ganhar. Mas, sobretudo, é preciso aprender a perder.
Como ensina a antiga expressão bíblica — e não Maradona —, do pó viemos e ao pó retornaremos. No futebol, ninguém permanece para sempre no alto do pódio.
— Que o pontapé no traseiro seja o pontapé inicial para uma nova fase para a Argentina.
Marcos Aragão
Empresário
Empresário e articulista. Escreve sobre política, comportamento e cultura com linguagem clara e visão crítica.
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