Espanha campeã. E a Seleção Canarinho presa na gaiola das vaidades
A Espanha voou alto.
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Enquanto os espanhóis chegaram ao topo sustentados por disciplina, trabalho coletivo, resiliência e determinação, a Seleção Canarinho permaneceu trancada numa gaiola construída por vaidades, improvisação e falta de projeto.
O Brasil perdeu muito antes de entrar em campo contra a Noruega.
Perdeu em outros campos.
Perdeu no campo da determinação, com jogadores apáticos, quase sempre correndo atrás da bola e do adversário.
Perdeu no campo da resiliência porque, diante da dificuldade, faltaram reação, força e espírito coletivo.
Perdeu no campo da moralidade, com atletas mais preocupados com contratos e patrocínios de casas de apostas.
— No país do futebol, é bola para todo lado.
O futebol brasileiro incorporou muitos dos nossos piores defeitos nacionais. Na CBF, sucedem-se denúncias de corrupção, disputas de poder, influência crescente dos patrocinadores e gestões incapazes. Nossa seleção também não tinha um projeto. Tinha apenas um grupo de jogadores famosos.
— Uma andorinha só não faz verão. Um canarinho também não.
Temos talento, mas não temos equipe. Enquanto outras seleções treinam sistemas, movimentos e comportamentos, continuamos esperando que uma jogada individual resolva aquilo que a organização não conseguiu construir.
Vimos duas seleções, Argentina e Espanha, chegarem à final porque foram maiores do que seus próprios jogadores. Seus atletas bateram um bolão, representando suas nações e vestindo a camisa de valores reais de uma pátria: trabalho consistente, resiliência e determinação.
A Seleção Brasileira fez o caminho inverso.
Presa às próprias vaidades, deixou que lhe cortassem as asas. Trocou o trabalho pelo improviso, o coletivo pelo estrelismo e o planejamento pela espera de um milagre.
Enquanto a Espanha levantou a taça, a Seleção Canarinho fechou o bico e permaneceu em sua gaiola dourada: cercada de dinheiro, exposição e celebridades, mas cada vez mais distante da grandeza que um dia a fez voar.
Para voltar ao alto, o Brasil terá primeiro de romper as grades que ele próprio construiu.
Marcos Aragão
Empresário
Empresário e articulista. Escreve sobre política, comportamento e cultura com linguagem clara e visão crítica.
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