Filhos de Lula
Renan Filho e João Campos apostam no padrinho para vencer no Nordeste; enquanto confiam na proximidade com Lula para embalar suas campanhas aos governos, JHC segue no centro de um cálculo que pode decidir a corrida alagoana: cumprir ou romper o acordo de Brasília.
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Em Pernambuco, o jingle da campanha de João Campos ao governo do Estado já mostra para o que veio: exalta que é candidato de Lula e lembra sua linhagem política como principais ativos.
Do lado de cá, mais ao sul, não é muito diferente.
Renan se mostra como o escolhido de Lula e, diferente de João, que parece ter um lastro semiparental, se vende como um funcionário que enaltece os bons serviços prestados a um grande líder.
Renan Filho foi ministro dos Transportes no governo Lula 3 e, dentre as principais medidas de sua passagem pelo governo federal, destacam-se a Nova CNH, o recorde de leilões e concessões rodoviárias (chegando à casa dos R$ 170 bilhões em investimento privado no modal rodoviário), além do retorno da Transnordestina e do sonho ferroviário brasileiro.
João Campos foi um dos prefeitos do nordeste mais bem-sucedidos da história recente do Recife, tornou-se viral nas redes e foi coroado como "príncipe da esquerda". No auge, delegou nomes para compor a equipe de comunicação de Lula, que sofria de desempenho nas redes.
Ambos somaram forças com o projeto de Lula, e agora o presidente vincula e empresta sua popularidade no nordeste às campanhas de ambos ao governo: um em Alagoas, outro em Pernambuco.
Com Raquel Lyra em alta no Estado, João conta com o apoio de Lula para garantir a vaga ao Governo e poupá-lo de uma grande frustração política após a renúncia à prefeitura do Recife à época em clima de jogo ganho.
Renan Filho está em situação semelhante, só que do outro lado da malha política: enquanto João Henrique Campos é "o novo" tentando destronar o que é conhecido e desaprovado, o também João Henrique, só que Caldas, tenta tirar Renan Filho de um terceiro mandato.
Ambos JHC, mas com perfis e times diferentes: o de Recife conta com o apoio da dívida do presidente para liquidar Raquel, enquanto o de Maceió tem dívidas a pagar com o petista e que, caso venha a pagar, o tiraria da corrida ao Palácio República dos Palmares.
Renan será favorecido pela sua aliança com Lula de todas as formas: seja com JHC cumprindo o acordo de Brasília e não concorrendo ao governo, colocando sua vitória como certa; seja com João Henrique Caldas não cumprindo e indo ao governo, pois Renan, com o apoio direto de Lula, tende a se descolar de uma margem que vem apertada contra JHC e se posicionar como favorito.
E Renan sabe disso. Pesquisas internas mostram, para surpresa de muitos, uma Maceió lulista, principalmente entre os jovens (público que tende para JHC). Para tanto, de acordo com boatos, o jingle de Renan aposta, assim como o de João, na presença de Lula e em uma leveza típica da juventude que acompanha o primeiro presidente metalúrgico da história do Brasil.
Como Renan vem dizendo, o time de Lula mostra que está com ele, enquanto o do outro lado esconde Bolsonaro. Agora o que essa frase não mostra é que o que parece afetivo, na verdade, se revela cálculo político.
João Mendonça
Jornalista
Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333
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