Política

JHC pousa em Alagoas e vê seu maior pesadelo ganhar forma: ficar ao lado de Arthur Lira.

Depois de fugir de Lira o quanto pôde, JHC cedeu no fim: tempo de TV valeu mais que o discurso antissistema; Lira fala em "muita paciência e resiliência", a que e a quem, não se sabe.

Por João Mendonça
17/08/2026 às 10:27 63 views
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JHC esteve fora de Alagoas durante a etapa da "recusa do chamado" na jornada do herói que vem tentando construir.

Para isso, tentava driblar o lado sombrio da história, do qual não se considera parte, evitando coligar com Arthur Lira em Alagoas.

JHC tem tanta vontade de ter Lira ao seu lado quanto qualquer Calheiros.

Apesar disso, enquanto Arthur era um dos homens mais poderosos do Brasil como presidente da Câmara, JHC pousava ao seu lado, contava com seu apoio e o tinha como aliado.

O jogo começou a mudar desde a renúncia de JHC.

O início foi a "tomada" de Arthur, que deu a volta por cima e foi direto a Brasília, ao PL de Alagoas. JHC queria tudo para si e nada para o bolsonarismo e, após a primeira rasteira de Arthur, o tucano foi para o PSDB. O ruído foi grande, e até hoje o PL briga na Justiça pelas cadeiras perdidas na Câmara após a saída de alguns de seus quadros rumo ao PSDB.

JHC demonstrava ter controle sobre suas escolhas e colocou Lira de lado desde então. Mas tudo mudou no dia 5 de agosto, quarta-feira, quando, ao meio-dia, o PL nacional anunciou Alfredo Gaspar de Mendonça como vice na chapa de Flávio Bolsonaro.

O mundo instagramável de JHC caiu. Desde então, começou a fase emblemática da jornada do herói que JHC tenta emular: "a recusa ao chamado".

O que por fora parecia apenas o surgimento de um problema, uma oportunidade ou um acontecimento capaz de romper a normalidade, por dentro era uma luta interna: JHC perdia o controle da narrativa a tal ponto que teve que enfrentar o próprio ego para não ver desmoronar tudo o que havia construído.

Se cumprisse o acordo de Brasília, poderia perder a disputa ao Senado, já que sua rejeição entre os próprios aliados não lhe permitia recuar, e ainda se vincularia a Lula e aos Calheiros, o que terminaria de sepultar a figura antissistema que até hoje luta para manter.

Do outro lado, Arthur Lira estava de braços abertos: JHC manteria sua candidatura ao governo do Estado de Alagoas e colocaria sua esposa como segunda senadora na coligação PL/PP/UB. Além disso, João H. Caldas seria contemplado com um bom tempo de televisão e de inserções, tão fundamentais quanto suas redes sociais com milhares de seguidores.

A apuração que consta hoje é que JHC lutou até as últimas horas para se manter longe de Arthur. Nesse cenário, até as 17h de sábado, dia 15, Ronaldo Lessa ainda era o vice de JHC. A essa altura, quem negociava em Maceió era o próprio prefeito da capital, Rodrigo Cunha, já que JHC se encontrava em Brasília tentando evitar a coligação com Arthur.

O resultado você já sabe: JHC fez seu primeiro ato de campanha, uma recepção no Aeroporto Zumbi dos Palmares, que, à primeira vista, chamou atenção pelo número de pessoas menor do que o esperado, mas que, observando os pontos-chave, revela outro detalhe.

JHC abraça por último o homem que nem gostaria de ver mais pela frente. Não é um abraço afetuoso, mas uma forte batida de mão. Arthur Lira está eufórico, "realizado", em suas próprias palavras. Depois de agir como inimigo velado, Lira coloca JHC em seu lugar: agora ele é o candidato de oposição que Lira insere no campo político do pleito alagoano.

JHC retruca: o que era certo até sexta-feira era Eudócia ao Senado, mas a resposta aos ataques de Arthur Lira veio com Marina JHC encabeçando a chapa, deixando a mãe dele como primeira suplente. Marina certamente vai minar votos de Lira na capital, mas essa é uma conversa para outro momento.

Lira, em coletiva de imprensa neste domingo, fala em diálogo e cita diretamente o cenário de Gaspar: "era um candidato forte ao Senado (...) sua ida à vice-presidência mexeu com todo o cenário".

Lira fala em "muita paciência e resiliência". A que e a quem, não se sabe.

Complementa ainda batendo na tecla do tempo de TV, comprovando, talvez, a teoria de que essa era sua principal moeda, ou arma, na negociação com JHC: "muita paciência e resiliência para fazer uma unidade de partidos com o maior tempo eleitoral para televisão e inserções de rádio".

No fim, o que vale é o resultado. Lira confirma que foi até os últimos minutos para conseguir o que queria: "se aconteceu dentro dos 45, tá valendo, tá na regra".

Agora sobrou para JHC pousar em Alagoas e ver seu maior pesadelo ganhar forma: ficar ao lado de Arthur Lira.

Sobre o colunista

João Mendonça

Jornalista

Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333

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