Política

Nem todo mundo cresceu nas urnas

Antonio Albuquerque e Alexandre Ayres tiveram menos votos; Ronaldo Medeiros e Remi Calheiros cresceram, mas perderam participação relativa

Por Carlos Victor Costa
09/10/2026 às 14:36 54 views
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Enquanto parte dos deputados estaduais de Alagoas conseguiu ampliar significativamente sua votação nas eleições de 2026, outros parlamentares registraram resultados que merecem atenção. E os números mostram que a força eleitoral de um político nem sempre pode ser medida apenas pela quantidade de votos conquistados.

Segundo levantamento realizado pelo radialista Luiz Tanaka Jr., dos parlamentares eleitos em 2026 com votações comparáveis às de 2022, apenas dois apresentaram redução no número absoluto de votos: Antonio Albuquerque e Alexandre Ayres.

Antonio Albuquerque, que havia conquistado 41.748 votos em 2022, recebeu 35.659 votos em 2026. A diferença representa uma redução de aproximadamente 14,6% em sua votação.

Já Alexandre Ayres passou de 61.142 votos, em 2022, para 50.355 votos em 2026, registrando uma queda de aproximadamente 17,6%.

Os resultados contrastam com o crescimento nominal observado entre os demais parlamentares analisados e levantam questões sobre a distribuição do eleitorado, a capacidade de mobilização política e as mudanças no comportamento dos eleitores alagoanos.

Crescer em votos não significa necessariamente ganhar espaço

O levantamento também apresenta outra situação que chama atenção: os deputados Ronaldo Medeiros e Remi Calheiros conseguiram aumentar suas votações nominais em comparação com 2022, mas registraram redução na participação relativa sobre o total de votos do estado.

Na prática, isso significa que os dois parlamentares receberam mais votos do que na eleição anterior, mas sua fatia proporcional do eleitorado ficou menor.

É uma diferença importante. Afinal, quando o universo de votos cresce em ritmo superior ao desempenho individual de determinado candidato, ele pode conquistar mais eleitores em números absolutos e, ainda assim, representar uma parcela menor do total.

Portanto, crescimento nominal e crescimento proporcional não são necessariamente a mesma coisa.

O que os números revelam sobre a força política?

A comparação entre os resultados de 2022 e 2026 permite observar diferentes dimensões do desempenho eleitoral dos deputados estaduais.

O número absoluto de votos indica a capacidade de mobilização de cada candidatura. Já a participação proporcional permite avaliar o peso dessa votação diante do conjunto do eleitorado considerado.

Entretanto, nenhuma dessas informações, isoladamente, é suficiente para definir a dimensão da influência política de um parlamentar.

A concentração de votos em determinados municípios, a presença em diferentes regiões do estado, a manutenção de bases eleitorais e a capacidade de ampliar apoios também são elementos relevantes para uma análise mais completa.

Um deputado pode aumentar sua votação concentrando o crescimento em poucos municípios. Outro pode apresentar crescimento mais modesto, mas ampliar sua presença territorial. São movimentos diferentes, que precisam ser examinados separadamente.

Além da matemática eleitoral

Os dados apresentados por Luiz Tanaka Jr. reforçam a importância de analisar os resultados eleitorais para além da contagem de votos.

No caso de Antonio Albuquerque e Alexandre Ayres, houve redução efetiva no número de votos recebidos. Já Ronaldo Medeiros e Remi Calheiros ilustram uma situação distinta: crescimento nominal acompanhado de perda de participação proporcional.

Esses resultados, por si só, não permitem concluir que houve enfraquecimento das estruturas políticas ou perda de influência institucional dos parlamentares. Para isso, seria necessário avaliar outros indicadores e o contexto de cada candidatura.

O levantamento, contudo, evidencia uma distinção fundamental para compreender o cenário político alagoano: ter mais votos não significa, obrigatoriamente, conquistar uma participação maior no eleitorado.

E deixa uma pergunta importante para a análise dos resultados de 2026: afinal, o que representa melhor a força eleitoral de um deputado, a quantidade de votos que ele recebe ou o espaço proporcional que ocupa nas urnas?

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

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