Quais os próximos passos de Renan para aumentar a diferença?
Levantamentos apontam onde Renan Filho e JHC devem concentrar esforços: entre diferentes faixas de renda, idade e escolaridade e nas regiões mais decisivas de Alagoas.
Assessoria
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Flávio Bolsonaro desembarca em Alagoas para iniciar sua agenda pelo Nordeste e permanece dois dias no Estado ao lado de Alfredo Gaspar. A visita ocorre em meio a uma disputa em que Lula e Bolsonaro se tornam referências centrais para a estratégia de Renan Filho e JHC.
Renan tem apostado fortemente na associação com Lula. Não por acaso, aparece de boné do presidente na imagem de lançamento de sua candidatura. A estratégia encontra respaldo nos levantamentos internos mais recentes: Lula teria cerca de 60% dos votos válidos em Alagoas, contra 34% de Flávio Bolsonaro.
Entre os eleitores que se identificam como lulistas, Renan também leva vantagem: 60% declaram voto no ex-governador, contra 31% em JHC. Esse grupo representa aproximadamente um quinto do eleitorado e é formado principalmente por mulheres, católicos, pessoas sem ensino superior completo e eleitores com 45 anos ou mais.
Na esquerda, ainda que o eleitor não se identifique necessariamente com Lula, o cenário se repete. Renan aparece com 53%, contra 34% de JHC, sobretudo entre os eleitores de 25 a 49 anos.
O dado mais importante para Renan é que ainda existe espaço para crescimento justamente nesses segmentos. Mulheres, eleitores de menor escolaridade e parte do eleitorado de baixa renda concentram parcelas relevantes de indecisos, o que abre espaço para uma campanha baseada na ideia de que Renan é o candidato de Lula.
A idade também favorece estratégias diferentes. JHC tem desempenho superior entre os mais jovens, enquanto Renan cresce entre os eleitores mais velhos e abre ampla vantagem entre aqueles com 60 anos ou mais. No ensino fundamental, o ex-governador também lidera com folga, embora mais de 22% desse eleitorado ainda não tenham escolhido candidato.
O cenário muda entre quem possui ensino médio, faixa em que JHC passa à frente, mas Renan volta a liderar entre eleitores com faculdade. Na renda de até dois salários mínimos, os dois aparecem praticamente empatados — justamente uma faixa numerosa do eleitorado.
O outro lado da disputa
Se Renan tenta transformar a eleição em uma disputa entre Lula e Bolsonaro, JHC precisa lidar com uma questão diferente: sua relação com o bolsonarismo é menos orgânica do que a ligação de Renan com Lula.
Apesar das críticas de setores bolsonaristas, os números indicam que JHC já domina esse eleitorado. Entre os que se identificam com Bolsonaro, 70% preferem o prefeito para o governo, enquanto apenas 24% optam por Renan.
Esse eleitorado é majoritariamente masculino, concentra-se entre 25 e 44 anos, tem forte presença de pessoas com ensino médio e aumenta conforme cresce a renda. Acima de cinco salários mínimos, JHC chega a praticamente monopolizar o voto bolsonarista.
Geograficamente, a vantagem é ainda mais evidente na Região Metropolitana de Maceió, única região em que JHC lidera de forma clara. É também um território de eleitorado mais definido, com poucos indecisos.
No outro extremo está o sertão. É nessa região que Renan consegue sustentar maior competitividade e onde Lula alcança quase 70% das intenções de voto. Médio sertão, alto sertão e agreste, porém, ainda concentram uma parcela relevante de eleitores indecisos.
É justamente aí que a estratégia de Renan pode funcionar melhor: associar seu nome ao de Lula pode ajudá-lo a converter parte desse eleitorado ainda aberto e ampliar sua vantagem sobre JHC.
Para JHC, a situação é diferente. Aproximar-se ainda mais de Bolsonaro pode ter retorno limitado, porque boa parte de sua base bolsonarista já está consolidada. O risco é afastar eleitores moderados sem conquistar um volume significativo de novos votos.
Há, por fim, uma questão política que pode pesar na campanha. A federação que reúne o PSDB de JHC está coligada ao PL de Flávio Bolsonaro, e essa composição garantiu ao prefeito uma vantagem importante no tempo de televisão — cerca de 30 segundos a mais que Renan Filho.
Agora, com Flávio Bolsonaro em Alagoas, surge a cobrança por reciprocidade. A questão é saber se os Bolsonaros aceitarão que JHC mantenha distância do discurso bolsonarista ou se cobrarão publicamente o apoio que ajudaram a viabilizar.
No fim, a equação parece simples: Renan precisa transformar Lula em voto; JHC, preservar o voto de Bolsonaro sem ficar limitado a ele.
João Mendonça
Jornalista
Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333
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