Política

Qual história Renan Filho quer fazer de novo? | Análise do guia eleitoral

Renan Filho aposta na força das alianças e no legado de sua gestão, mas deixa sem resposta a história que promete fazer novamente.

Por João Mendonça
28/08/2026 às 20:51 44 views
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“Ninguém faz nada sozinho”.

Uma das frases iniciais de Renan Filho em seu guia eleitoral inaugural da campanha contradiz o que seu principal adversário impõe. JHC bate na tecla do “eu”, da esperança que ele propõe e que só ele pode executar com sucesso.

Renan Filho fala no coletivo, e não é à toa: fez uma grande aliança, contando com prefeituras em todo o Estado, maioria na Assembleia Legislativa e com o governo federal.

Mostrou força em unir tantos lados em prol do seu projeto.

E isso deságua na semiótica do guia: na principal narração do filme, que é de Renan, ele aparece rodeado de figurões da política local.

JHC faz sua campanha solo e, quando muito, com os seus familiares: os antigos Caldas, atuais JHCs.

Vale lembrar que até isso, esse isolamento, é usado espertamente por JHC, pois ele se intitula como alguém que está do lado do povo e é o antissistema, apesar de buscar colocar diversos parentes na política.

Veja que, quando Renan fala “A eleição da certeza, contra a dúvida”, batendo novamente nas incongruências políticas e nos desarranjos de JHC contra o seu grupo político que se desdobraram até agora, ele também confirma o outro lado do discurso: JHC está sozinho porque “não senta com esse tipo de gente”.

Esse esforço para sustentar o discurso foi tanto que JHC enrolou o máximo possível para não ter Arthur Lira ao seu lado, sendo ele um dos principais figurões da política tradicional.

Fica a dúvida se esbanjar essa aliança, indo além dos acordos e chegando no marketing político, ajuda Renan ou o atrapalha contra o atual discurso de JHC, seu grande adversário.

Fato é que, após Teotônio Vilela Filho, também do PSDB de JHC, Renan Filho assumiu o governo de Alagoas com o estado estando entre os piores índices de violência do Brasil. Não só isso: construiu e entregou seis hospitais, criou o programa de Creches Cria e fez o famigerado Cartão Escola 10. A prova de que Renan Filho é popular pelo que faz muito mais do que pelo que é, ou seja, um Calheiros, está na aprovação de Paulo Dantas.

O governador, que deu continuidade, tem alta aprovação até em uma região declaradamente anticalheiros, que é a Região Metropolitana de Maceió. Renan Filho saiu do governo de Alagoas com um altíssimo índice de popularidade devido às suas entregas, porém ainda sofre por não ter combatido a peste que se instaurou com o sobrenome de sua família na política — peste essa que JHC tenta eliminar logo na raiz quando movimenta o seu partido em processos contra qualquer um que o vincule ao Caso Master.

Tarde demais.

A rejeição a Renan Filho é contra seu nome, pois, pelo trabalho prestado, até quem o odeia concorda que ele tem.

Há outro desafio que Renan enfrenta: a maioria dos alagoanos é lulista e, mesmo com a sua parceria com o presidente, não vê no ex-ministro de Lula a melhor opção para o governo de Alagoas. Para tanto, neste guia, deixa claro: “(…) esta vai ser a eleição do time de Lula contra o time que tenta esconder Bolsonaro”.

Renan Filho promete fazer história de novo, porém precisa lembrar ao público — que tem memória curta ou talvez não tivesse idade para saber como era antes de seu mandato — que tipo de história ele está falando. Durante mais de quatro minutos, nada disso é lembrado. Ficou em branco: que história é essa que esse candidato tanto fala?


Sobre o colunista

João Mendonça

Jornalista

Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333

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