Quantos bairros precisam afundar para levar as “mudanças” por Toda Alagoas? | Análise do guia eleitoral
JHC quer levar as “mudanças” de Maceió para todo o estado; resta saber quanto da fórmula depende do dinheiro da Braskem
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“Só você pode fazer isso pela gente”. Assim se inicia a peça inaugural da campanha eleitoral de JHC, do PSDB, na corrida pelo Palácio República dos Palmares para inserções de TV, os famosos guias eleitorais. Novamente, João H. Caldas exibe uma aura messiânica de si mesmo. Anteriormente, já havia publicado materiais em que suas ideias e sua história são elevadas ao patamar do “escolhido”, típico da estratégia de marketing chamada jornada do herói.
“JHC é a esperança”.
Vendendo-se como a esperança, a dose vaidosa de autoestima também aparece nos diversos closes no aeroporto, nas feiras e comícios, flexionando o bíceps. Semelhante a um personagem de cartoon, JHC parece não só estar em dia com a academia, como também tenta mostrar que é um ponto fora da curva do que chama de “velha política”.
O interessante é que Igor Paulim, marqueteiro de JHC em Alagoas, traz nesta peça características de João Campos — rival de sua outra cliente, Raquel Lyra, em Pernambuco —, como a dança nas escadas coloridas, o passinho popular e o sinal que vincula o político a um projeto: João com o V de Vitória e JHC com o braço flexionado, que não apresenta justificativa além da própria vaidade.
Durante a peça, JHC defende levar por todo o estado as “mudanças” que fez em Maceió durante suas gestões à frente da Prefeitura. Cita o Gigantinhos, que terceiriza parte da educação ao custo por aluno ser 122% maior que a média do FNDE; o Hospital da Cidade, comprado por R$ 267 milhões, valor que seria suficiente para quase nove Hospitais da Mulher ou quatro Hospitais Metropolitanos; cita diversas ruas pavimentadas, a entrega da Linha Verde, entre outros projetos.
Sabe o que a maioria deles pode ter em comum? O recurso recebido da Braskem.
Maceió fechou com a Braskem um acordo de R$ 1,7 bilhão por danos patrimoniais e extrapatrimoniais, enquanto um laudo da Polícia Federal estima em R$ 40 bilhões o prejuízo provocado pelo desastre ao patrimônio da União. Os valores não são diretamente comparáveis, pois o cálculo da PF não representa quanto a Prefeitura deveria receber, mas a diferença dá dimensão da distância entre o montante acertado com o Município e a escala dos danos estimados.
O acordo, fechado em um tempo pouco convecional, resultou em um valor muito abaixo do esperado e soa até hoje como desrespeitoso com as vítimas.
O resulta tá aí: o Hospital da Cidade foi oficialmente comprado com esses recursos. Outro exemplo é a Linha Verde, uma execução da Braskem, no âmbito do Termo de Acordo Socioambiental, e não da Prefeitura de Maceió, apesar de JHC gabar-se do mérito, assim como ocorre com diversos outros projetos espalhados pela cidade.
JHC quer a paternidade de um filho que é da Braskem, mas sem falar de como esse filho foi feito: na prática, quando não é executado pela empresa, conta com recursos extraordinários repassados por ela.
Agora, já que JHC quer fazer o mesmo por todo o estado, a pergunta que fica é: quantos bairros precisam afundar para levar as “mudanças” por toda Alagoas?
João Mendonça
Jornalista
Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333
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