Política

Maceió perde área verde de 30 mil m² para construção de condomínio; legislação urbana levanta debate sobre preservação ambiental

Terreno com vegetação de Mata Atlântica na Serraria dará lugar a quatro torres residenciais

Por Redação da JP News

Publicado em 23/10/2026 às 13:39

Compartilhe:
Capa da notícia
Reprodução

Ouvir Notícia

 Ministério Público investiga a retirada das árvores, enquanto caso expõe os desafios da legislação municipal para conciliar expansão imobiliária e preservação ambiental.

Uma área verde de aproximadamente 30 mil metros quadrados, equivalente a três hectares ou cerca de quatro campos de futebol, está sendo desmatada no bairro da Serraria, na parte alta de Maceió, para dar lugar a um condomínio residencial com quatro torres. A retirada das árvores começou na segunda-feira (19) e provocou preocupação entre moradores e ambientalistas.

O terreno fica nos fundos do supermercado Atacarejo, na região da Serraria e do Murilópolis. O espaço abriga vegetação de grande porte, incluindo jaqueiras, mangueiras, cajueiros, palmeiras, coqueiros e outras espécies. Além da cobertura vegetal, a área funciona como abrigo para aves e pequenos animais silvestres, contribuindo para o equilíbrio ambiental de uma região cada vez mais ocupada por construções.

O empreendimento, denominado Park Plaza Murilópolis, é de responsabilidade da Solidez Engenharia. A construtora informa que possui as autorizações ambientais e urbanísticas necessárias. A supressão vegetal foi autorizada pela Alurb em 2 de outubro de 2026, enquanto o alvará de execução das obras foi expedido pelo Iplam em 13 de outubro.

O episódio levanta uma discussão que vai além da legalidade da obra: até que ponto a legislação urbana de Maceió consegue efetivamente preservar suas áreas verdes? Embora o município disponha de Plano Diretor, regras de zoneamento e instrumentos de proteção ambiental, o caso evidencia que áreas particulares com vegetação significativa podem receber autorização para supressão e implantação de empreendimentos imobiliários.

A legislação urbanística da capital tem como referências o Plano Diretor de 2005 e o Código de Urbanismo e Edificações de 2007. O novo Plano Diretor, encaminhado à Câmara Municipal em 2026, abre uma oportunidade para discutir mecanismos mais rigorosos de preservação dos fragmentos de vegetação ainda existentes dentro da cidade. A questão central é se as regras atuais oferecem proteção suficiente a esses espaços, especialmente diante da expansão imobiliária.

A retirada da vegetação também pode trazer consequências para os moradores. Segundo o urbanista Dilson Ferreira, professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a perda da cobertura arbórea pode elevar a temperatura, reduzir a infiltração da água da chuva, ampliar riscos de alagamentos e comprometer habitats naturais. A implantação das quatro torres ainda poderá aumentar a demanda sobre o trânsito, o abastecimento de água e a infraestrutura da região.

O Ministério Público de Alagoas instaurou procedimento para apurar a supressão vegetal e verificar se as autorizações concedidas estão de acordo com a legislação ambiental. A Alurb sustenta que o processo seguiu as normas municipais e que houve compensação vegetal mediante entrega de mudas e insumos para plantios em espaços públicos.

O caso da Serraria coloca em evidência uma escolha sobre o futuro de Maceió: permitir o crescimento imobiliário sem comprometer a preservação dos últimos espaços verdes da capital. Mesmo quando uma intervenção é legalmente autorizada, permanece o questionamento sobre o custo ambiental de substituir árvores maduras e ecossistemas consolidados por concreto.

Tags: Notícias Cidades
JP

Máquinas da Pan Maceió

Neto Auto