Lira serve a política à sua moda: goste ou não, terá que engoli-la
Sem escolher entre Lula e Bolsonaro, Lira virou o único nome que os dois precisam.
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Nem Davi Davino, nem Marina JHC devem ser páreos para frear Arthur Lira como a força de contrapeso aos Calheiros e seu projeto de governo.
A lógica está dada: se Renan Calheiros terá uma vaga, a outra será de Arthur Lira.
Lira marcou seu estilo de jogo: congelado e matemático, para não falar frio e calculista, demonstrou saber mais do que fala sobre o jogo político, e isso é o suficiente para adestrar diversos players que chegaram de vento em popa.
Arthur Lira esteve cotado no famigerado Acordão de Brasília, onde seria um dos escolhidos ao Senado junto a Renan Calheiros por Lula, e agora aparece na lista de nomes apoiados por Flávio Bolsonaro e recebe apoio massivo dos apoiadores do ex-presidente em Alagoas.
Lira, apesar de ser de direita, tem os dois pés fincados nos principais movimentos da política nacional: lulismo e bolsonarismo.
Provavelmente, nem tão cedo um político vai poder afirmar que foi presidente da Câmara dos Deputados em dois governos tão ambivalentes entre si: Arthur presidiu a Casa à sua moda e serviu ora a Bolsonaro, ora a Lula.
Levará algumas décadas para um chefe de cozinha servir a dois algozes entre si que marcaram de forma tão forte a história e a política nacional.
Eu não sou fã dos fins que a política de Lira proporciona, mas há de se dizer que os seus meios são invejáveis para quem admira o bom jogo do xadrez político.
João Mendonça
Jornalista
Jornalista — Formado em Jornalismo pela Ufal, realizador audiovisual e produtor cultural, participa do Pan News e do Sem Filtro. Acompanhe no Tiktok: @joaomendonca333
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