Política

Mulheres podem avançar em 2026, mas equilíbrio ainda está distante

Disputa pode ampliar a presença feminina na bancada federal, enquanto a Assembleia corre o risco de eleger menos mulheres

Por Carlos Victor Costa
01/09/2026 às 18:52 33 views
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Alagoas elegeu seis mulheres para a Assembleia Legislativa em 2022. À primeira vista, o número pode parecer expressivo. Basta colocá-lo diante do tamanho do plenário, porém, para a impressão mudar: são seis deputadas entre 27 cadeiras, pouco mais de 22% da Casa.

Em outras palavras, a cada cinco parlamentares estaduais, apenas uma é mulher. Não se trata de um detalhe estatístico. É a demonstração de que, mesmo com candidaturas femininas competitivas, a política alagoana continua sendo um ambiente amplamente dominado por homens.

O quadro poderá se tornar ainda mais desigual em 2026. Duas das seis deputadas eleitas em 2022 não deverão disputar a reeleição. Flávia Cavalcante abrirá espaço para o pai, Cícero Cavalcante. Carla Dantas também ficará fora da corrida, enquanto seu grupo deverá apoiar Paulinho Mendonça.

As duas saídas têm um peso que vai além da matemática eleitoral. Nos dois casos, mulheres deixam a disputa e grupos políticos direcionam suas estruturas para candidaturas masculinas. Isso significa que a bancada feminina começará a eleição tentando repor perdas antes mesmo de pensar em crescer.

Entre as atuais deputadas, Cibele Moura, Fátima Canuto, Rose Davino e Gabi Gonçalves aparecem com boas possibilidades de reeleição. A permanência das quatro seria importante para preservar parte do espaço conquistado em 2022, mas não garantiria, sozinha, a manutenção das seis cadeiras atuais.

É nesse ponto que os novos nomes ganham importância. Ceci Rocha e Teca Nelma chegam à disputa em condições competitivas e podem ocupar os espaços deixados pelas parlamentares que não buscarão um novo mandato. Ângela Garrote, por sua vez, tentará retornar à Assembleia, embora tenha perdido bases políticas importantes desde a última eleição.

O cenário, portanto, mistura continuidade, renovação e risco de recuo. Para igualar o resultado de 2022, não bastará que as favoritas confirmem seus mandatos. Será necessário que pelo menos duas candidaturas femininas adicionais atravessem chapas competitivas, quocientes eleitorais e disputas internas que, muitas vezes, são tão duras quanto a concorrência com outros partidos.

Câmara Federal pode ter mudança de cenário

Se na Assembleia o desafio é impedir uma redução, na Câmara dos Deputados a missão é sair do zero. Alagoas não elegeu nenhuma mulher para a bancada federal em 2022. Em 2026, há candidaturas capazes de mudar esse quadro, embora ainda não exista cadeira assegurada por antecipação — eleição não aceita salto alto nem pesquisa transformada em diploma.

Samyra do Basto e Rute Nezinho, ambas do PSD, estão entre os nomes mais citados. O partido trabalha para eleger dois deputados federais e tenta alcançar uma terceira vaga. É justamente na disputa interna por essa possível terceira cadeira que as duas aparecem com força.

A chapa oferece oportunidade, mas também impõe uma dificuldade evidente: Samyra e Rute poderão disputar entre si o mesmo espaço eleitoral. Se o PSD confirmar apenas duas vagas, a barreira será maior. Caso alcance a terceira, aumentam as possibilidades de uma delas chegar a Brasília.

Tereza Nelma, Silvania Barbosa, Gaby Ronalsa, Júlia Nunes e Thaís Canuto também estão na corrida. O conjunto de nomes mostra que não falta presença feminina na formação das chapas. O verdadeiro teste será saber quais partidos oferecerão estrutura política, recursos e condições reais para que essas candidaturas deixem de cumprir apenas uma exigência legal e passem a disputar mandatos de fato.

Olívia Tenório pode surgir como a surpresa da eleição. A expectativa é que ela concorra pela chapa formada por PP e União Brasil, grupo que trabalha com a projeção de eleger entre quatro e cinco deputados federais. Em uma composição com essa capacidade, uma votação competitiva pode abrir o caminho para a Câmara.

Ainda assim, chapa forte não é sinônimo de eleição fácil. Quanto maior a expectativa de vagas, maior costuma ser também a concentração de candidatos com mandato, bases consolidadas e estruturas municipais. Olívia precisará transformar a força coletiva da aliança em espaço próprio dentro dela.

Crescer não significa alcançar equilíbrio

A representação feminina alagoana pode avançar em 2026, especialmente se o estado voltar a eleger ao menos uma mulher para a Câmara Federal. Mas qualquer crescimento precisa ser analisado sem maquiagem estatística.

Na Assembleia, manter seis mulheres entre 27 deputados significaria apenas preservar pouco mais de um quinto das cadeiras. Seria melhor do que recuar, naturalmente, mas continuaria muito distante de uma divisão equilibrada do poder.

A eleição de mais mulheres não depende somente do número de candidatas inscritas. Depende do lugar que elas ocupam nas chapas, da estrutura que recebem, das alianças construídas e da disposição dos grupos partidários para investir em projetos femininos realmente competitivos.

As urnas de 2026 poderão produzir uma bancada mais plural. Mas, se Alagoas terminar a eleição comemorando como grande conquista a presença de uma mulher entre cada cinco deputados estaduais, será preciso reconhecer o óbvio: houve resistência, talvez algum avanço, mas equilíbrio ainda não.

Sobre o colunista

Carlos Victor Costa

Jornalista

É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...

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