Sem Gustavo Lima, a matemática pode condenar chapa federal do PSDB
Federação PSDB-Cidadania enfrenta baixas e pode ficar distante dos votos necessários para conquistar uma vaga
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A chapa da Federação PSDB-Cidadania para deputado federal pode estar perto de perder mais uma peça importante. E, desta vez, o problema não é apenas político. É matemático.
Uma fonte garantiu à coluna que Gustavo Lima avalia seriamente desistir da candidatura. O motivo seria o suposto descumprimento de compromissos que teriam sido assumidos para viabilizar sua campanha.
Caso a desistência seja confirmada, uma chapa que já vinha perdendo nomes ficará numa situação ainda mais complicada.
Cal Moreira já renunciou à candidatura. Ana Hora também deixou a disputa. Além disso, a entrada de Marina JHC na corrida pelo Senado mexeu ainda mais na composição política e eleitoral do grupo.
Agora, além da possível saída de Gustavo Lima, existe a possibilidade de Gilvan Barros também desistir da candidatura a deputado federal.
É justamente nesse ponto que os números começam a assustar.
Na eleição de 2022, Gilvan Barros disputou uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PP e recebeu 53.732 votos. Gustavo Lima, candidato pelo PSD naquele mesmo pleito, conquistou 37.100 votos.
Somados, os dois alcançaram 90.832 votos.
Isso significa que, se ambos realmente deixarem a disputa, a Federação PSDB-Cidadania poderá perder, ao menos como referência de desempenho eleitoral anterior, mais de 90 mil votos. Evidentemente, eleição passada não representa transferência automática de votos para a eleição seguinte. Mas também não é um dado que possa ser tratado como mero detalhe.
Atualmente, a chapa ainda conta com nomes como os vereadores de Maceió Kelmann Vieira, Chico Filho e Eduardo Canuto, além do suplente de vereador Neto Andrade.
Juntos, os quatro receberam 30.056 votos na eleição municipal de 2024. É uma votação relevante, mas ainda muito distante da necessidade eleitoral estimada para uma chapa que pretende conquistar uma cadeira de deputado federal em Alagoas.
Considerando a projeção do quociente eleitoral, um partido ou uma federação pode precisar construir uma votação próxima dos 180 mil votos para assegurar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Esse número não é definitivo, pois o quociente eleitoral depende da quantidade de votos válidos registrados no estado. Ainda assim, a projeção mostra o tamanho do desafio que a federação terá pela frente.
Na eleição proporcional, não basta um candidato apresentar bom desempenho individual. É necessário que toda a chapa produza votos suficientes para entrar na divisão das cadeiras. É uma espécie de condomínio eleitoral: alguém pode até pagar a própria parte, mas, se o restante do prédio não colaborar, a conta não fecha.
Se Gustavo Lima e Gilvan Barros permanecerem na disputa, a federação ainda terá dois nomes com histórico eleitoral significativo para ajudar na construção do quociente. Se ambos desistirem, o problema não será apenas encontrar substitutos para completar a nominata.
Será necessário encontrar candidatos capazes de colocar dezenas de milhares de votos dentro da chapa e isso, a 30 dias da eleição, não aparece por geração espontânea.
Por isso, a pergunta deixa de ser apenas quem poderá substituir Gustavo e Gilvan.
A questão central passa a ser outra: sem eles, a chapa da Federação PSDB-Cidadania ainda terá votos suficientes para eleger alguém?
A eleição proporcional costuma ser implacável com chapas montadas sem densidade eleitoral. Um candidato pode até conquistar uma votação expressiva. Mas, se o conjunto não alcançar força suficiente, os votos individuais viram apenas estatística.
E, nesse jogo, calculadora não aceita promessa política como forma de pagamento.
Carlos Victor Costa
Jornalista
É jornalista com mais de 10 anos de atuação, cobrindo a área de política e economia. Com experiência em campanhas políticas. Graduado em jornalismo, pela Universidade Federal de Alagoas em 2014. Passou por veículos de comunicação como Correio de A...
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